quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Chumbo, Enxofre e Vida.

Hoje o maior objetivo de todo empreendimento é provar ser amigável com o meio ambiente. Provar que uma atividade é sustentável faz com que o “marketing” de determinado produto seja visto com bons olhos por consumidores atentos.
Esta atenção deve se voltar para todos os produtos que consumimos em nosso dia a dia, e principalmente com aqueles que são imprescindíveis para o funcionamento do mundo como o temos hoje. Um grupo desses produtos são os combustíveis fósseis que movimentam aviões, veículos de passeio e transporte pesado em nosso país.

Dois produtos que chamam a atenção em nosso país pelo tratamento diferenciado em relação ao resto do mundo são a gasolina e o óleo diesel, combustíveis que movimentam grande parte da nossa frota automotora. A nossa gasolina automotora aditivada com álcool, é mais limpa e segura, enquanto a gasolina aeronáutica utiliza o chumbo, um componente altamente poluente, que impregna turbinas e motores exigindo manutenções mais frequentes nas aeronaves. O chumbo pode contaminar de forma irreversível todos os organismos vivos, entre eles é claro, o ser humano.

Os veículos pesados utilizam o diesel, um combustível que apresenta um componente poluidor bastante nocivo ao meio ambiente que é o enxofre, resultado da combustão do diesel que é liberado junto com os gases de escape. O enxofre quando liberado combina com a umidade da água e o oxigênio presentes na atmosfera para formar o ácido sulfúrico, retornando a terra sobre a forma de chuva ácida, elemento altamente corrosivo que produz enormes danos à agricultura e construções.

Passagens bíblicas relatam o apocalipse como o fim dos tempos com muito sofrimento, contaminação por chumbo e chuvas de enxofre. Como podemos observar se negligenciarmos o nosso planeta, dentro de muito pouco tempo estaremos muito próximos disso. Basta observar as dramáticas transformações climáticas que estamos observando em espaço tão curto de tempo. Chuvas que fazem trasbordar rios e deslizar montanhas e a cada ano ficam cada vez mais pesadas e com maior volume de água.

Urge, portanto que modifiquemos o nosso sistema de transporte pesado todo baseado em caminhões movidos a óleo diesel, para um sistema ferroviário eletrificado mais adaptado ao transporte de grandes cargas e com menor impacto sobre o meio ambiente. No que diz respeito ao sistema de transporte, o tráfego de grandes caminhões, cada vez maiores, mais velozes e recheados de tecnologia evoluem e se modernizam a uma velocidade muito maior que nossas rodovias; sendo que muitas delas não estão preparadas para veículos de tais dimensões.

Os acidentes com esses veículos são cada vez mais violentos e mais destruidores, ocasionando cada vez mais mortes, fazendo-nos pensar que algo precisa ser feito na legislação para que tais veículos tenham o tamanho e a carga limitados, e que não se permita que esses veículos de transporte de tamanho ilimitado possam continuar trafegando livremente pelas estradas de nosso país.

Muita dessas estradas, ainda em pista simples, em que o vaivém de caminhões enormes se transforma em uma roleta russa, onde um acidente de grandes proporções está sempre à espreita. Pois basta um motorista cansado, após horas e horas na boleia em um infindável percurso de mais de doze horas diárias de trabalho, para fazer com que mais uma tragédia apareça nos telejornais diários. É simplesmente mais uma notícia, vira tragédia quando acontece com a gente ou com alguém muito próximo.


Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal Correio de Uberlândia
Data: 21/01/2012

domingo, 25 de dezembro de 2011

Heróis esquecidos?

Este texto é escrito em homenagem a alguns brasileiros exemplares em algum ramo de atividade e que suas obras foram tão importantes que meras homenagens ou livros escritos são insuficientes para agradecer o patriotismo e as boas obras que construíram ao longo de uma vida. São, portanto heróis, e filmes poderiam ser feitos para servir de exemplo às novas gerações. São pessoas que primaram pela ética, seriedade, solidariedade e lisura com que encararam a vida e procuraram por todos os meios lícitos disponíveis deixar um mundo melhor do que aquele que encontraram. 
O primeiro deles é o Marechal do Ar Casimiro Montenegro Filho, patrono da aeronáutica do Brasil, objeto do livro “Montenegro” do Jornalista Fernando Morais onde ele conta a biografia e “as aventuras do marechal que fez uma revolução nos céus do Brasil”.  Outro livro foi escrito por Ozires Silva e Déscio Fischetti, “A trajetória de um visionário. Vida e obra do criador do ITA”.  Que contam a história heróica de um piloto da força aérea que se transformou no primeiro reitor do ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica e do CTA – Centro Tecnológico da Aeronáutica, hoje denominado DCTA – Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial e que transformou em realidade o sonho de uma indústria aeronáutica genuinamente nacional. 
Outra heroína foi Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, esposa do escritor Guimarães Rosa, e que foi sua colega de trabalho no Consulado do Brasil em Hamburgo durante a segunda guerra mundial. Aracy de sua mesa dentro do Consulado do Brasil em Hamburgo conseguiu salvar centenas de vidas de Judeus que para fugir da perseguição nazista pediram asilo ao Brasil. Por seu trabalho no consulado e seu espírito humanitário ela foi agraciada pelo governo de Israel com o título de “Justa entre as Nações”. Sua história de vida além de estar presente em livros, merece ser conhecida por nossos jovens tão carentes de verdadeiros heróis. 
Os nossos heróis foram em geral pessoas simples que devotaram a sua vida a um determinado objetivo, um exemplo também destacado é o do Eng. Bernardo Sayão Carvalho Araújo. Formado pela Escola Superior de Agronomia e Medicina Veterinária de Belo Horizonte em 1923, é um nome destacado na história de Brasília. Vivia no Rio de Janeiro, em 1935 ficou viúvo, aos 34 anos viu-se só e com duas filhas, em 1939 resolveu mudar com a família para Goiás para onde veio construir estradas.  Trabalhou no famoso programa do governo brasileiro chamado “Marcha para o Oeste”. Em 1941 casou-se novamente e em 1954 foi eleito vice-governador de Goiás, em 1956 era um dos diretores da NOVACAP, empresa estatal que cuidava da construção da nova capital federal. Por ordem do presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira foi encarregado em 1958 da construção da estrada Belém – Brasilia (Transbrasiliana) e aceita gerenciar pessoalmente as obras da rodovia. Mas um homem com tal desprendimento e coragem deveria ser parte indelével da história da nova capital federal, e para tanto um terrível acidente em 1959 durante a derrubada da mata para a abertura da estrada uma árvore cai sobre sua barraca e o deixa gravemente ferido. Sayão morre no mesmo dia dentro de um helicóptero em busca de socorro. Por ironia do destino ele acabou sendo o pioneiro do Campo da Esperança, o cemitério de Brasília. A rodovia Belém-Brasília em sua homenagem recebeu o nome oficial de Rodovia Bernardo Sayão. 
Outro grande inventor nacional foi o Padre Roberto Landell de Moura, desconhecido inventor, que já fazia experiências com transmissores de rádio bem antes de Guglielmo Marconi, acender, com comando de rádio desde Genova na Itália as luzes do Cristo Redentor no Rio de Janeiro, em 12 de Outubro de 1931, dia de sua inauguração. Seu experimento registrado com sucesso data de 03 de Junho 1900, e trata-se sua fantástica experiência de transmitir a voz humana através de ondas de rádio entre o Bairro de Santana (Colégio Santana) e a Avenida Paulista (região do MASP). É preciso dar a ele o merecido crédito, pois fazia experimentos avançados para a época em um país sem tradição científica e fora do eixo das grandes invenções, a Europa do começo do século XX.
Outro herói anônimo é o marechal Henrique Baptista Duffles Teixeira Lott, que foi apelidado pela história de o “marechal democrata”, o homem que enquanto esteve no poder e embora sendo um militar, procurou com todas as suas forças escutar a voz do povo e dar voz às urnas. Adiou o quanto pode e até tentou evitar o golpe militar no Brasil. Henrique Lott veio de uma família ilustre, mas que estava em dificuldades financeiras, cursou a academia militar, e se obrigava a ser o primeiro da classe, regido pelas disciplinas paterna e materna que o fez aprender inglês e francês em casa, através da leitura de livros. Henrique Lott logo teve que exercer a disciplina ensinada pelo pai, pois tinha com seu soldo uma família para alimentar em casa. Sua mãe impôs a ele que enquanto fosse o primeiro da classe no Colégio Militar ele e os irmãos teriam direito de comer uma lata de sardinha importada nos almoços de sábado. Enquanto ele esteve no Colégio Militar nunca houve um só almoço de sábado que não houvesse sardinha em casa.
Lott é definido como “O Soldado Absoluto” pelo jornalista Wagner William em seu livro, e é tido como um democrata admirado por políticos de esquerda, sem qualquer afinidade ideológica com ele, e odiado pelos que usavam a farda do Exército ao engendrarem o golpe militar de 1964. Isto porque em 1955, o general Lott, evitou a antecipação da ditadura militar no Brasil em nove anos, ao dar um golpe para evitar um golpe militar, e permitir que o presidente eleito nas urnas tomasse posse, um dos presidentes mais populares da história do país. Juscelino Kubitschek de Oliveira não teria levado a termo seu governo se o ministro Lott não se tornasse seu fiel escudeiro e pregasse que as forças armadas fossem a guardiã da democracia e a defesa da nação, mas com isso tornou-se o maior rival de outro general, Castello Branco.
Jânio Quadros poderia ter perdido a eleição presidencial para a sucessão de Juscelino, se Lott, sendo o outro candidato, não tivesse feito uma campanha em que se recusava entrar no toma lá dá cá da política nacional.
Lott foi um militar que admirava a democracia, foi ministro e foi candidato que se colocou à disposição do povo em sufrágio, evitando o proselitismo e sucumbindo ao populismo barato do Sr. Jânio Quadros.
Temos, portanto nossos ídolos e heróis, como em qualquer parte do mundo, alguns livros já foram escritos sobre eles, pois fizeram parte da construção desta grande nação. Dar conhecimento às atuais gerações das pessoas que dedicaram sua vida para melhorar a sociedade é um ato de civilidade e patriotismo. Quantos ainda estarão totalmente desconhecidos e no anonimato?


Primeira parte publicada na Coluna Ponto de Vista do Jornal Correio de Uberlândia em 04/01/2012. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Novas tarifas para a energia elétrica.

Na terça-feira dia 22/11 a ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou durante reunião pública de sua diretoria a alteração da estrutura tarifária a ser aplicada ao setor de distribuição de energia elétrica. O novo regulamento prevê a aplicação de tarifas diferenciadas por horário de consumo, oferecendo tarifas mais baratas nos períodos em que o sistema é menos utilizado pelos consumidores.

A partir daí o governo começa a divulgar para a população os planos de uma nova política para a tarifação da energia elétrica residencial. O novo regulamento prevê a aplicação de tarifas diferenciadas por horário de consumo, oferecendo tarifas mais baratas nos períodos em que o sistema é menos utilizado pelos consumidores. Segundo divulgado pela mídia e na página da ANEEL as tarifas serão subdivididas em três faixas de horários diferentes: ponta, fora da ponta e durante a madrugada, respectivamente tarifas vermelha, amarela e verde.

O assunto foi objeto de Audiência Pública pela ANEEL com o nº. 120/2010 de 17/12/2010 a 18/03/2011. Para os consumidores de baixa tensão, seja os residenciais, comerciais, industriais e de áreas rurais, a principal mudança é a criação da modalidade tarifária branca, que será uma alternativa à convencional hoje em vigor, o sistema ainda oferecerá três diferentes patamares para a tarifa de energia, de acordo com os horários de consumo. De segunda a sexta-feira, uma tarifa mais barata será empregada na maioria das horas do dia; outra mais cara, no horário em que o consumo de energia atinge o pico máximo, no início da noite; e a terceira, intermediária, será entre esses dois horários. Nos finais de semana e feriados, a tarifa mais barata será empregada para todas as horas do dia.

Segundo o jornal “O Globo”, no período de pico, a energia custará cinco vezes mais do que no horário de baixo consumo, no resto do dia, e três vezes mais do que no horário intermediário, que será de uma hora antes e uma depois do horário de pico.

Entretanto, o novo sistema de tarifas somente começará a valer quando as distribuidoras de energia substituírem os medidores eletromecânicos de energia pelos eletrônicos, assunto que está em estudo na ANEEL e foi abordado na Audiência Pública da ANEEL de no. 43/2010. A modalidade tarifária branca não valerá para a iluminação pública e os consumidores de baixa renda. Fica a primeira pergunta: - Quem paga a conta pela substituição do sistema?

A jogada é atrair a clientela para as novas tarifas diferenciadas com preços mais baixos que a tarifa branca e depois as tarifas cobradas poderão ser fortemente majoradas no horário de ponta para forçar o consumidor a mudar os seus hábitos com a consequente diminuição da demanda de energia pela modificação do padrão de consumo dentro das residências.

O interessante é que atrelado a uma medida deste tipo não se vê nenhum programa de estimulo ao financiamento de aquecedores solares de água para substituir os chuveiros nas residências e nos edifícios residenciais. O chuveiro é o maior vilão no consumo residencial no horário de ponta e nenhuma campanha é feita para estimular o seu desaparecimento. Uma coisa é certa, a partir dessas novas regras, a vida dos consumidores de energia elétrica no Brasil não será mais a mesma.

Prof. José Roberto Camacho
UFU – Eng. Elétrica
e.mail: jrcamacho@ufu.br

Publicado na coluna "Ponto de Vista"
Correio de Uberlândia em 15/12/2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Precisa-se de cérebros.

O país vive uma fase de desenvolvimento pautada pela austeridade nas contas e no superávit comercial dos últimos anos, ações estas que proporcionam um bom desempenho econômico ao país e a região se comparado com as dificuldades econômicas de regiões ricas do mundo, como a Comunidade Europeia por exemplo. Soma-se a isso a visível redução de recursos naturais e a perspectiva de que na atual taxa de crescimento populacional (1,2% ao ano) o mundo terá o dobro de seus habitantes em aproximadamente 58,5 anos e será praticamente impossível alimentá-los com recursos terrenos. É um cenário catastrófico? Não necessariamente, pois a disciplina, austeridade e inteligência vão ser cada vez mais valorizadas daqui para frente.

Para tanto é necessário que valorizemos as práticas inteligentes em todas as áreas do conhecimento. Quer seja nas áreas sociais, na área de saúde, na formação de pessoas e nas soluções coletivas para a convivência harmoniosa em nossas cidades. É preciso, portanto que o cidadão tenha formação de qualidade desde sua mais tenra idade. É muito importante que nos voltemos para as boas práticas esquecidas no passado e as adaptemos à nossa modernidade. Não é mais possível conviver em uma sociedade global de mais de sete bilhões de pessoas sem o mínimo de disciplina e respeito ao próximo. Formar um cidadão é um trabalho árduo de vinte anos ou mais, e qualquer cochilo hoje se reflete inexoravelmente no futuro.

Frequentemente se houve falar em década perdida. O que estamos fazendo com a educação básica e sua aprovação automática nos últimos dez anos vai se refletir daqui a vinte anos e dali para frente teremos mais uma década perdida. Isto sim é catastrófico, pois um país para se desenvolver precisa de cérebros, e estes se desenvolvem com o culto ao conhecimento desde a mais tenra idade. É preciso que todo ser humano tenha uma boa referência nas escolas por onde passou e no conhecimento que adquiriu.

Em recente reportagem da mídia nacional, percebe-se que o professor passa mais tempo ditando regras de comportamento aos seus alunos, do que propriamente ensinando. Isto sim é catastrófico. Estudantes trazem de casa o conceito de que para ter sucesso não é preciso aprender nem o mínimo necessário. É inadmissível que não exista mais o conceito de autoridade e que não seja possível o respeito ao professor e à sua profissão. A falta de cérebros e a importação de profissionais de outras partes do mundo em nosso país passam por dentro da nossa alquebrada educação básica e adentra como um furacão descontrolado para dentro da universidade. A escola não é fábrica de diplomas é um local que deve cultivar o conhecimento. Infelizmente para isso é preciso sinalizar a aqueles que não a levam a sério que é preciso mais dedicação e mais respeito com o conhecimento e com o que a sociedade espera de você depois de titulado. Como diria o agricultor, não se vende joio por trigo.

Como produzir cérebros para os desafios de todos os tipos que teremos em não mais do que vinte anos? Uma boa casa não se constrói em solo frágil ou alicerce de má qualidade, qualquer construtor sabe disso. Aqueles que insistem em fazer ouvidos moucos às críticas de uma educação básica pífia não podem reclamar da falta de profissionais capacitados e de qualidade advindos tanto do ensino superior quanto do ensino técnico.


Publicado na coluna "Ponto de Vista" - Jornal Correio de Uberlândia em 24/11/2011.

domingo, 30 de outubro de 2011

Voto no Cacareco?

O Cacareco foi o primeiro rinoceronte político ou político rinoceronte do Brasil, quiçá do mundo. A biografia deste mamífero perissodátilo é de fazer inveja a muito político profissional. Ele começou sua militância política quando em setembro de 1958 veio do Zoo do Rio de Janeiro para a inauguração do Zoo de São Paulo. O sucesso de sua visita foi tanto que ele inclusive foi impedido de voltar ao Rio de Janeiro, em São Paulo ele revelou seus pendores políticos e tornou-se o queridinho da população paulistana.

Isto porque Itaboraí Matos, um jornalista do jornal O Estado de São Paulo, em protesto devido ao baixo nível dos candidatos a cargos na Câmara Municipal de São Paulo, resolveu lançar a candidatura do animal nas eleições de 1959, sua sugestão foi o voto de protesto no animal que era o queridinho da cidade naqueles dias. A campanha do Cacareco foi um estrondoso sucesso e o rinoceronte recebeu mais de 100 mil votos nas eleições de 3 de outubro de 1959.

No rastro desta aclamação popular na época surgiram panfletos e músicas que retratam bem o fato que a política não se modifica em nosso país e que ela sofre das mesmas mazelas de 50 anos atrás. Veja por exemplo a letra da marcha “Cacareco” de Miguel A. Ruggeri e Irvando Luiz para o Carnaval de 1960.

“Está faltando carne/Está faltando pão/Criança sem escola/É triste a educação/A queixa deste povo/Não encontra eco/E foi eleito o Cacareco//Cacareco o que é?//É falta de arroz/É falta de feijão/É falta de vergonha/ Não tem mais solução/O povo está cansado/De bancar o boneco/E desgostoso/Votou no Cacareco”. Troque a carne pelo transporte, o pão pela justiça, o arroz pela segurança e o feijão pela saúde e você verá que no final pouca coisa mudou em nossa política em mais de cinquenta anos.

Começam a surgir o movimento suprapartidário “Brasil contra a corrupção” que pede o retorno do nosso país à política sadia com ética para que a riqueza de nosso país seja mais bem aproveitada. É preciso exigir dos políticos ou candidatos à política o seu “Curriculum Vitae”, uma descrição da sua vida passada. Só assim cacos e cacarecos não conseguirão chegar às esferas de decisão do poder.

A solidão a que os políticos relegam seus eleitores após as eleições, com o beneplácito da legislação, é algo estarrecedor em nosso país. O eleitor não consegue nem ao menos se lembrar em que votou, tal é a enorme distância que os agora eleitos se posicionam de seus eleitores. “Na democracia, o poder emana do povo. Pelo povo é concedido e por ele é retirado.” Precisamos modificar urgentemente o arcabouço de leis que orientam a nossa política.

O povo brasileiro aguarda há anos uma reforma que modernize a política, as formas de tributação e a previdência social, mas nada sensibiliza os nossos representantes, por isso é preciso tomar cuidado, observar bem os currículos dos postulantes aos cargos públicos para que o sufrágio seja consciente e que não elejamos nenhum Cacareco em protesto ao que temos no momento.

Precisamos de representantes que tenham consciência de sua representatividade e que além do seu progresso pessoal tenham em mente que são pagos pelos nossos impostos, e que o progresso do país e o atendimento às necessidades dos cidadãos são mais importantes que suas vaidades pessoais e seu desejo pelo poder.

Prof. José R. Camacho (PhD)
UFU – Engenharia Elétrica
Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal Correio de Uberlândia
Data: 07/11/2011