Os constantes avanços tecnológicos em todos os campos do conhecimento humano estão chegando ao nosso dia a dia cada vez com uma maior rapidez. Os setores que evoluem mais rapidamente são a eletrônica, os computadores e sistemas a eles associados.
O Setor de Energia Elétrica por suas características de alto custo e retorno lento do investimento é cada vez mais pressionado pela adoção rápida de novas tecnologias. Estas novas tecnologias estão criando o que chamamos de Redes Elétricas Inteligentes e Sistemas de Armazenamento de Energia.
Este grupo de ramos de atividade nunca exigiu tanto dos profissionais das mais diversas áreas do conhecimento, pois exigem uma fantástica dose de interdisciplinaridade, além de recursos humanos cada vez mais preparados nessas áreas. Enumerá-las aqui e não mencionar uma só área seria cometer uma falha imperdoável.
As áreas dentro dos sistemas de Energia Elétrica que sofrerão alterações substanciais e exigirão profissionais muito bem preparados e capacitados em futuro não muito distante são as enumeradas a seguir: a simulação estática e dinâmica de redes, as tecnologias de controle e monitoramento de redes, nova geração de sistemas de operação integrados (SCADA, DMS, NIS MDMS, OMS, PMU, etc...), novas estruturas de redes e as chamadas super-redes, segurança e redundância na transmissão de energia elétrica, componentes para novas tecnologias de controle de rede – FACTS, HVDC, etc..., componentes controláveis para sistemas elétricos de potência, materiais isolantes de melhor qualidade, tecnologia de alta tensão, redes de distribuição inteligentes, tanto a urbana quanto a rural.
Novas técnicas no gerenciamento de ativos da empresa, novos sensores e métodos de monitoramento de redes elétricas, métodos modernos de diagnóstico em tempo real para componentes de sistemas de potência, métodos rápidos para detecção de falhas, a conexão da geração de energia renovável (eólica, solar, pequenas centrais hidráulicas, maremotriz, etc...) a custo competitivo.
Será necessário o desenvolvimento de interfaces de rede para os mais diversos tipos de geração renovável, estudo de novos paradigmas em projetos de subestação e equipamentos, métodos de previsão de curto prazo para fontes de potência variável, armazenamento de curto e médio prazo para alívios de transitórios na escala de milissegundos a segundos e de segundos a minutos respectivamente. Deve ser também considerado o efeito migratório da indústria para a produção independente e autoprodução de energia elétrica e seus impactos nos novos paradigmas quando se considera o incremento na inteligência dos sistemas de energia elétrica.
A existência de veículos híbridos será ao mesmo tempo um recurso e uma carga extra para o sistema, impondo novos desafios, a interação armazenamento-transmissão é muito importante em redes inteligentes, além da existência de supercapacitores e bancos de baterias ligados aos subsistemas de armazenamento de curto e médio prazo.
Outros novos aspectos são os padrões de comunicação para a rede, uma eficiente (ICT) tecnologia de comunicação e informação para melhoria da qualidade de energia, os sistemas inteligentes de proteção e controle, a compatibilidade eletromagnética (EMC), pois sistemas de comunicação e alta energia trabalharão muito próximos.
Pesquisas sobre possibilidades de ilhamento em sistemas interligados, subestações e componentes inteligentes para sistemas de potência, o comércio internacional de energia, mercados diários de energia, novos métodos de medição automática e de armazenamento de dados em energia elétrica, impacto da flutuação do preço de energia.
Além disso, deve ser pensado o tratamento dos gargalos na rede de energia e seus efeitos sobre a segurança na operação do sistema, tarifas eficientes para a rede, a determinação de preço de serviços auxiliares, a introversão de aspectos externos no mercado de eletricidade, impacto do consumidor no mercado, o custo do desequilíbrio em redes inteligentes e o comportamento do consumidor perante a automatização dos sistemas.
Todos esses aspectos fazem com que aumente a responsabilidade sobre as empresas e profissionais da área de energia no cumprimento dos desafios que se avizinham em futuro não tão distante.
sábado, 10 de julho de 2010
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
O preço que ninguém vê.
Os revendedores de veículos prevêem um crescimento para o próximo ano de mais de 15% na venda de veículos novos. Esta afirmativa nos leva a uma reflexão sobre o custo destes veículos que ninguém vê na hora da compra. Vamos, portanto fazer um exercício sobre o custo mensal de um veículo além do preço do mesmo ao longo de um ano. Vamos tomar por base um carro popular de aproximadamente R$ 30.000, 00 e que a metade desse valor foi financiada. As primeiras despesas antes de se pisar na rua são o IPVA de 4% sobre o valor do veiculo mais seguro obrigatório e taxa de licenciamento, um custo de aproximadamente R$ 1.350,00.
Supondo-se que o veiculo vá rodar pouco, em média 1200 kms por mês, o gasto aproximado com combustível para rodar 14.400 kms em um ano com um consumo médio de 12 km/l, com combustível a preço médio entre álcool e gasolina de R$ 2,50 o litro, seria de R$ 2.500,00.
Some-se a esta despesa duas trocas de óleo ao ano, em torno de R$ 200,00 e uma revisão de 10.000 kms em torno de R$ 300,00, e mais a depreciação do veiculo no primeiro ano. Não há consenso entre os especialistas sobre este assunto, os valores giram em torno de 20 a 30%. Vamos supor o valor médio de 25%. A soma dos três últimos índices perfaz o assustador total de R$ 8.000,00.
Levando-se em conta que 50% do veiculo foi financiado para ser pago em 60 meses e supondo-se uma taxa de administração de 5% para os custos da financeira o montante financiado se eleva para R$ 16.250,00, supondo-se ainda uma taxa de juro de 0,934% ao mês, e um pagamento mensal de R$ 355,00. O pagamento do financiamento ao final de 5 anos será de R$ 21.300,00. Um acréscimo anual nos custos de R$ 1.010,00.
Computando as 4 parcelas finais anteriores, o custo no primeiro ano é de R$ 12.860,00, um custo mensal extra de R$ 1071,67 além do pagamento mensal do financiamento do veículo de R$ 355,00. Esta conta poucas pessoas fazem ao comprar um carro, este custo mais o pagamento mensal do financiamento pode representar um rombo nas contas do comprador e levá-lo à inadimplência e prejuízos ainda maiores.
Outro aspecto importante e que não vamos incluir neste exercício numérico é o custo dos impostos, pois um carro popular com o preço dado aqui paga em média 30% de impostos quando pisa na rua, o valor deste carro é então R$ 21.000,00 para o fabricante, que o e torna R$ 9.000,00 mais caro devido aos impostos.
Não é sem razão que economistas escrupulosos permeiam a nossa mídia falada, escrita e televisada recomendando a consumidores incautos como eu, as melhores opções para a compra. Sem dúvida que os encargos fiscais sobre os veículos, o congestionamento nas grandes cidades, o preço dos combustíveis e a baixa qualidade do transporte público serão um estimulo ou não para a compra de novos veículos.
Agora se com todo este custo embutido faz-se uma previsão de crescimento nas vendas de 15% para os veículos novos em 2010, imagine como cresceria a nossa indústria, se os custos não fossem tão grandes para o bolso dos consumidores. Agora você consumidor, que está pensando em comprar um veiculo ou qualquer bem durável, tome muito cuidado com a cilada dos números, faça as contas e veja se não é melhor poupar antes e comprar depois.
Publicado no Jornal Correio de Uberlândia em 15/02/2010.
Supondo-se que o veiculo vá rodar pouco, em média 1200 kms por mês, o gasto aproximado com combustível para rodar 14.400 kms em um ano com um consumo médio de 12 km/l, com combustível a preço médio entre álcool e gasolina de R$ 2,50 o litro, seria de R$ 2.500,00.
Some-se a esta despesa duas trocas de óleo ao ano, em torno de R$ 200,00 e uma revisão de 10.000 kms em torno de R$ 300,00, e mais a depreciação do veiculo no primeiro ano. Não há consenso entre os especialistas sobre este assunto, os valores giram em torno de 20 a 30%. Vamos supor o valor médio de 25%. A soma dos três últimos índices perfaz o assustador total de R$ 8.000,00.
Levando-se em conta que 50% do veiculo foi financiado para ser pago em 60 meses e supondo-se uma taxa de administração de 5% para os custos da financeira o montante financiado se eleva para R$ 16.250,00, supondo-se ainda uma taxa de juro de 0,934% ao mês, e um pagamento mensal de R$ 355,00. O pagamento do financiamento ao final de 5 anos será de R$ 21.300,00. Um acréscimo anual nos custos de R$ 1.010,00.
Computando as 4 parcelas finais anteriores, o custo no primeiro ano é de R$ 12.860,00, um custo mensal extra de R$ 1071,67 além do pagamento mensal do financiamento do veículo de R$ 355,00. Esta conta poucas pessoas fazem ao comprar um carro, este custo mais o pagamento mensal do financiamento pode representar um rombo nas contas do comprador e levá-lo à inadimplência e prejuízos ainda maiores.
Outro aspecto importante e que não vamos incluir neste exercício numérico é o custo dos impostos, pois um carro popular com o preço dado aqui paga em média 30% de impostos quando pisa na rua, o valor deste carro é então R$ 21.000,00 para o fabricante, que o e torna R$ 9.000,00 mais caro devido aos impostos.
Não é sem razão que economistas escrupulosos permeiam a nossa mídia falada, escrita e televisada recomendando a consumidores incautos como eu, as melhores opções para a compra. Sem dúvida que os encargos fiscais sobre os veículos, o congestionamento nas grandes cidades, o preço dos combustíveis e a baixa qualidade do transporte público serão um estimulo ou não para a compra de novos veículos.
Agora se com todo este custo embutido faz-se uma previsão de crescimento nas vendas de 15% para os veículos novos em 2010, imagine como cresceria a nossa indústria, se os custos não fossem tão grandes para o bolso dos consumidores. Agora você consumidor, que está pensando em comprar um veiculo ou qualquer bem durável, tome muito cuidado com a cilada dos números, faça as contas e veja se não é melhor poupar antes e comprar depois.
Publicado no Jornal Correio de Uberlândia em 15/02/2010.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
O Aeroporto de Uberlândia.
O nosso aeroporto hoje apresenta índices estatísticos que impressionam. Serve a uma cidade que tem uma população estimada em 650 mil habitantes. Consultando os dados estatísticos do INFRAERO observa-se que o mesmo apresentou um movimento operacional em 2008 de mais de 20 mil aeronaves e um movimento de mais de 500 mil passageiros. Nosso aeroporto está instalado num prédio de passageiros com somente 35 x 75 metros, e possui somente uma esteira para desembarque. O que torna caótico o desembarque simultâneo de duas aeronaves de grande porte.
Deve-se ainda levar em conta que o nosso aeroporto não conta com o ILS (Instrument Landing System) para ajudar nos pousos sob condições de baixa visibilidade, teto baixo, neblina e sob condições meteorológicas adversas. O que muitas vezes gera transtornos para passageiros e companhias aéreas. Os aeroportos mais próximos são o de Uberaba a 110 kms, o Aeroporto de Ribeirão Preto a 280 kms. Dois aeroportos cujas instalações também deixam muito a desejar, levando-se em conta a importância econômica da região. Aeroportos melhores são o de Goiânia e Brasília que estão a aproximadamente 400 kms e Belo Horizonte a mais de 600 kms.
Levando-se em conta estes números e o acanhado edifício em que está instalado o Aeroporto Ten. Cel. Aviador Cezar Bombonato, que apesar de ter sido objeto de uma reforma há pouco tempo atrás ainda continua muito pequeno. Nossas autoridades precisam levar esses números para os órgãos de planejamento aeroviário brasileiro e pedir que comparem as facilidades oferecidas pelo nosso aeroporto e por outro Aeroporto de mesmo porte como o Lauro Carneiro de Loyola em Joinville, por exemplo.
Aquela cidade possui uma população de mais de 500 mil habitantes, seu aeroporto recebeu em 2008 mais de 6 mil aeronaves com um movimento de mais de 700 mil passageiros. Observa-se que ambas as cidades são muito semelhantes, mas ao se comparar as instalações de ambos os aeroportos, quanta diferença. O aeroporto daquela cidade possui instalações modernas construídas em 2004, possui um edifício de passageiros de dois pavimentos com 4 mil metros quadrados que foi entregue há somente 5 anos, e que conta ainda com ponte móvel de embarque e desembarque. Este aeroporto dista 163 kms do Aeroporto Internacional de Florianópolis, 75 kms do Aeroporto Internacional Ministro Victor Konder em Navegantes e 130 kms do Aeroporto Internacional Afonso Pena em Curitiba.
Na questão aeroportuária percebe-se um total despreparo para o futuro que se avizinha, teremos uma Copa do Mundo em mais 4 anos e uma Olimpíada em mais 6 anos, e a questão que fica: Estaria Uberlândia inserida nos planos de melhoria do transporte aeroviário da próxima década no Brasil? Que planos são esses?
É chegada a hora de Uberlândia reivindicar, a partir de 2010, uma melhoria substancial em nosso aeroporto, para que tenhamos instalações que sejam condizentes com o tamanho da cidade e o progresso da região. Seguindo essa linha de raciocínio, observando outras cidades como Londrina, PR, Caxias do Sul, RS, e seus aeroportos, fica difícil descobrir quais são os critérios técnicos utilizados pelo INFRAERO para definir melhorias em aeroportos.
Publicado no Jornal "Correio de Uberlândia" na sexta-feira, 15/01/2010.
sábado, 2 de janeiro de 2010
E se Lula fosse ferroviário?
Esta é uma reflexão sobre o transporte de carga no Brasil. Estaria Lula orgulhoso do que o Brasil tem feito com o transporte de carga em nosso país se ao invés de metalúrgico ele fosse um ferroviário? Creio que não há motivo para os ferroviários e ex-ferroviários elogiarem este governo e os governos em passado próximo e distante. Nossas ferrovias agonizam, enferruja a nossa história em pátios ferroviários pelo Brasil, basta fazer uma visita às importantes cidades que no passado viviam do transbordo de cargas e passageiros em nossas outrora movimentadas ferrovias.
As ferrovias brasileiras começaram a surgir no Brasil com Dom Pedro II em 1854 com sua Estrada de Ferro Leopoldina, elas possuem hoje 29.798 de linhas trafegáveis, dos quais 10.000 km foram construídos pelo próprio imperador, uma extensão pífia para um país de dimensões continentais como o nosso, boa parte da malha ferroviária concentra-se em três estados: São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Apesar de um custo fixo de implantação e manutenção elevado, o transporte ferroviário apresenta uma grande eficiência energética e baixo impacto ambiental, principalmente as ferrovias eletrificadas. Mesmo em processo de continuo sucateamento desde a era Getúlio Vargas, no Brasil o transporte sobre trilhos representa aproximadamente 19,46% da matriz de cargas e 1,73% da matriz de passageiros, incluindo transporte por metrô.
O Brasil a partir da década de 60 do século passado concentrou seus esforços na construção de uma malha rodoviária mais ágil e eficiente, a questão é que as rodovias encarecem o transporte de carga, principalmente para grandes volumes e grandes distâncias. Sem mencionar o fato que faltam bons trens de passageiros, que liguem as maiores cidades entre si, para que possamos explorar com linhas de turismo em sua total plenitude as nossas belezas naturais. Imagine o potencial turístico de uma linha ferroviária de passageiros entre Aracaju e Fortaleza pelo litoral.
Se comparada com a malha rodoviária que hoje possui cerca de 155.000 km, percebe-se a diferença gritante em extensão entre ambas. Perguntas que não querem calar são: Porque o Brasil se esqueceu das ferrovias? Elas não são lucrativas? Um programa de estimulo às ferrovias hoje, com a mesma visão estratégica que Juscelino Kubitschek de Oliveira teve para com a industria automobilística na década de 60, seria de uma importância capital para um país tão grande que não quer mais dormir em berço esplêndido.
Estamos na era dos trens de alta velocidade, na Europa e na Ásia trens trafegam a mais de 400 kms por hora, sem mencionar que as tecnologias atuais permitem que os trens de levitação magnética se elevem sobre os trilhos e atinjam velocidades que ultrapassam os inimagináveis 700 kms/h. Desta forma seria possível percorrer a distancia entre São Paulo e o Rio de Janeiro em menos de uma hora e meia de viagem. O que permitiria mais uma opção de transporte entre estas duas cidades que já possuem o sistema rodoviário e aeroviário por demais congestionados.
O Brasil um gigante rodoviário, precisa se transformar também em gigante ferroviário, com uma malha que interligue as diversas regiões do país, propiciando maior facilidade ao transporte intermodal com sua total integração ao sistema de transporte do país. Esta é a hora de se cobrar da nossa classe política um grande plano ferroviário para o Brasil.
O Brasil um gigante rodoviário, precisa se transformar também em gigante ferroviário, com uma malha que interligue as diversas regiões do país, propiciando maior facilidade ao transporte intermodal com sua total integração ao sistema de transporte do país. Esta é a hora de se cobrar da nossa classe política um grande plano ferroviário para o Brasil.
Publicado no Jornal "Gazeta do Triângulo" de Araguari na quinta-feira, 14/01/2010.
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