terça-feira, 12 de maio de 2015

Engenharia Elétrica UFU - 45 Anos


Nossa história começa em 1970 com a criação do curso de Engenharia Elétrica da Faculdade Federal de Engenharia de Uberlândia - FFEU. Este texto tem algo de comemorativo e de agradecimento pelos muitos anos vividos nesta comunidade. Comunidade esta que tem em sua história passagens de muita dedicação de seus criadores. Pessoas que pela sua formação superior erigiram a profissão de muitos cidadãos e cidadãs espalhados por todos os rincões desse imenso Brasil e pelo mundo afora.

Os primeiros nomes que me vêm à lembrança depois de meus 41 anos dentro desta comunidade são os dos professores Rezek Andraus Gassani, Renato Alves Pereira, Waldomiro Saliby Junqueira e Gilberto Arantes Carrijo, sendo que este último ainda está em plena atividade em nossa faculdade. Estes professores com muito trabalho, dedicação e visão de futuro prepararam a nossa instituição para o século que ora vivemos.

A Faculdade de Engenharia Elétrica participou em muito da vida de Uberlândia nos últimos 45 anos, e muitas histórias podem ser contadas nesse período. Entre elas está um episódio histórico, que testemunhei como estudante, o da transformação de faculdades isoladas em Universidade Federal de Uberlândia, ocorrido em 1976. Nesse ano circulou a notícia que as Faculdades existentes em Uberlândia seriam agrupadas na Universidade de Uberlândia, e que todas as faculdades seriam privatizadas. Obviamente os estudantes da FFEU, única Faculdade Federal (Engenharias Elétrica, Civil, Mecânica e Química) existente e gratuita na cidade não concordaram e organizaram um movimento grevista de modo que nenhum estudante fizesse prova final e fossem todos reprovados em sinal de protesto. Muitos boatos surgiram na cidade, diziam até que os estudantes da Engenharia eram contrários à criação da Universidade Federal, o que não era verdade.

A verdade era que o objetivo da maioria dos estudantes neste movimento estudantil foi: "Todas as faculdades seriam gratuitas e federais ou não se criava a universidade." Este forte clamor repercutiu na sociedade; e com muita passeata e interferência política, foi garantido por escrito aos estudantes que uma Universidade Federal surgiria no prazo máximo de três anos. No final de 1978 e início de 1979 surgiu a Universidade Federal de Uberlândia. Esta é uma das histórias que podem ser contadas por esta unidade de ensino que agora completa 45 anos.

A Faculdade de Engenharia Elétrica, a despeito da constante escassez de recursos, sempre se dedicou ao crescimento e evolução de nossa universidade, prova disso é que muitos novos cursos surgiram do seio desta unidade de ensino. Entre eles o curso de Ciência da Computação, o curso de Engenharia Mecatrônica, em parceria com a Faculdade de Engenharia Mecânica, e dentro da Engenharia Elétrica os cursos de Eletrônica e de Telecomunicações, de Controle e Automação, as Engenharias Biomédica, de Computação, e de Sistemas Elétricos, além dos cursos de pós-graduação em Engenharia Elétrica e Biomédica com nível de mestrado e doutorado, muito bem avaliados pelos órgãos de fomento dos Ministérios da Educação e da Ciência e Tecnologia, que formaram até a presente data 610 mestres e 171 doutores.

Nesses 45 anos a Engenharia Elétrica da UFU formou centenas de profissionais, que hoje se dedicam à Engenharia na cidade, no estado, no país e no exterior, contribuindo para a formação de profissionais mais capacitados para a indústria, a administração pública e a área acadêmica. Pedimos ao criador a benção de estarmos presentes para assistirmos a próxima década de sucesso.

Prof. José R. Camacho
UFU - Faculdade de Engenharia Elétrica
fone: 3239.4734
e.mail: jrcamacho@ufu.br 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Mobilidade urbana.


Em nossa sociedade consumista e individualista a vida em comunidade sempre ficou para o segundo plano. A regra é: - Se estou me dando bem o vizinho que se lixe. Para se ter certeza que e a nossa vida comunitária é de péssima qualidade é só observar o quanto a sociedade se organiza para pleitear seus direitos junto aos nossos dirigentes municipais, estaduais e federais. O nível de organização de nossa sociedade é pequeno, não temos sequer uma política de segurança de vizinhança, ou seja, voltada para o entorno de nossas residências.

O que dizer então da mobilidade urbana. A dificuldade em nossa cidade de se locomover para o centro da cidade de um bairro populoso e distante como por exemplo o Luizote de Freitas é enorme, e se resume à poucas alternativas, algumas delas caríssimas, como o taxi e o veiculo próprio, outras não tão caras como o transporte coletivo, e outras de muito baixo custo que são a pé ou de bicicleta. Que em nossa cidade, devido à distância e a inexistência de ciclovias são opções praticamente descartadas pelo cidadão comum.

Há um movimento em nossa cidade pelo transporte coletivo gratuito. Que seria pago pela contribuição de todos os cidadãos, tanto os que usam como os que não usam o transporte coletivo. Existem várias formas de se tornar o transporte coletivo mais barato. Uma fórmula interessante seria criar um fundo pago pelas empresas situadas em nossa cidade, que seriam dedutíveis dos impostos pagos ao município em benefício da criação de ciclovias e de um transporte coletivo de melhor qualidade para todos os cidadãos.

É preciso também modernizar o transporte através do estabelecimento pela Prefeitura Municipal de metas de qualidade e de modernização para as empresas que lucram com o transporte de pessoas em nosso município. Não é possível que a população continue a viajar nas próximas décadas dentro da cidade em ruidosos veículos movidos a motores de combustão interna e de baixa acessibilidade. Este tipo de transporte era moderno no início da década de 70 quando começou a ser implantado em Curitiba.

Vamos priorizar BRTs em Uberlândia quase 45 anos depois? Já não é hora de pensarmos em algo mais moderno como as silenciosas linhas de um metrô leve de superfície realmente eficientes e que atendam as necessidades da população? Chegou em minhas mãos um mapa de Uberlândia com o esboço de duas linhas para nosso metrô leve de superfície. Uma das restrições de se fazer a tal projeto é de não mexer com os lucrativos corredores de BRTs que já estavam com seu projeto prometido para as permissionárias de serviço de transporte coletivo da cidade.

Resultado, o que sobrou para o trajeto de nosso VLT (veiculo leve sobre trilhos) foram duas linhas que não tinham interesse das grandes empresas de ônibus da cidade. O trajeto inicial do VLT ao invés de ser uma grande cruz percorrendo as grandes avenidas de Uberlândia de Norte a Sul e de Leste a Oeste, transformou-se em um "Frankenstein" com duas linhas que começam e terminam praticamente no mesmo lugar e que atende os interesses das empresas de transporte coletivo e não os da população laboriosa de nossa cidade.


Pasmem os senhores leitores que as Avenidas João Naves de Ávila e Monsenhor Eduardo, antigo leito da Estrada de Ferro Mogiana e com inclinação adequada para trens, continuará sendo servida pelo menos nos próximos cinquenta anos por veículos movidos a ruidosos motores de combustão interna e com baixo nível de acessibilidade. Este é planejamento futuro que queremos para Uberlândia?


Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal Correio de Uberlândia
Data: 27/02/2015
Republicado em 03/10/2015

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O cobertor está curto?

Em nosso país é de conhecimento de todos a precarização de nosso ensino fundamental e médio públicos em detrimento do ensino privado nesse nível. Com essa precarização os professores de ensino fundamental e médio perderam muito com salários aviltados e padrão de vida aquém do necessário para treinar uma sociedade civilizada, com isso nossos jovens não se interessam mais pela carreira e não possuem a mínima vontade de terem uma profissão que não lhes dá a mínima dignidade para viverem em uma sociedade moderna. 

Os nossos políticos acenam com a necessidade de melhora no ensino nos níveis fundamental e médio da escola pública. E que esta melhora passa sem dúvida pelo estimulo financeiro de seus profissionais. Mas por outro lado precarizam a carreira docente nas escolas técnicas e nas universidades públicas. Isso é um contrassenso pois se a carreira nas escolas técnicas e nas universidades é atraente seria bom mantê-las como estão e fazer com que as escolas de ensino fundamental e médio públicas tivessem docentes com carreira tão atraente quanto os níveis superiores.

O que nos parece é que o cobertor está curto, pioram de uns para melhorar o de outros níveis, nivelam por baixo o que deveria ser nivelado por cima em sua totalidade. Alertas devem ser emitidos para que não se diga que os nossos jovens se desinteressaram pela carreira docente. A situação de nosso ensino é crítica e já reflete na capacidade de fornecer profissionais de qualidade para a indústria e serviços. Se nenhum programa sério for criado para estimular nossos jovens a se interessarem pelo magistério temos como resultado uma deficiência muito grande de gente capacitada para o trabalho em todos os níveis.

Sem mencionar a dificuldade de se encontrar jovens mestres de qualidade interessados em ministrar disciplinas importantes como Matemática, Física, Química, Biologia e Ciências. Isto, não pela inexistência deste recurso humano, mas pelo desinteresse dos mesmos em viver uma carreira desprestigiada e sem nenhum respeito da sociedade, onde o dia a dia é permeado por dificuldade de todo tipo desde a inexistência de um ambiente de trabalho com o mínimo de conforto até a distância de nossas escolas públicas da realidade tecnológica do Século XXI.

Bibliotecas e laboratórios completamente desaparelhados de recursos técnicos de ensino, onde a criatividade do professor tenta superar as barreiras quase intransponíveis da inexistência de recursos materiais. Além de um quadro desesperador desses, soma-se o descaso da sociedade para com o bem público, essa falta de apreço é retratada pela quantidade de vezes que nossas escolas públicas são assaltadas, com professores vendo seus parcos recursos de ensino serem levados por amigos do alheio. Sem contar as notícias, todos os anos, do número de escolas públicas que possuem instalações tão envelhecidas que não se recomenda sua ocupação no início de um novo ano letivo.

O desafio é fazer com que, num cenário desses, professores estejam motivados e felizes com a realidade que vivem todos os dias. Como conseguir isso? Suas dificuldades vão desde o transporte de casa para a escola até os recursos materiais que possuem à sua disposição para realizar o seu trabalho de formar cidadãos. Um professor tem que ter uma renda mínima para se manter atualizado, poder sonhar e se informar à frente do seu tempo. Um professor precisa fazer sonhar, mas como fazer isso se nem ele mesmo sonha mais com dias melhores?

Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal Correio de Uberlândia
Data: 24/02/2015

domingo, 28 de setembro de 2014

Limitadores de velocidade?


Nos Estados Unidos e Canadá está sendo discutida uma legislação para colocar limitadores de velocidade nos veículos de transporte pesado. Com a evolução da tecnologia esses veículos têm todos os recursos de um carro de passeio, direção hidráulica, cambio automático, computador de bordo com as mais diversas facilidades. São tão sofisticados que um motorista de carro de passeio sem nenhum treinamento é incapaz de colocar um desses veículos em movimento. Com toda essa tecnologia, a pessoa treinada que está ao volante perde totalmente a sensação das dimensões e do peso do veiculo e da carga que está transportando.

Isso é um perigo, pois estes veículos transportam pesos de até 50 toneladas que é impossível de ser parado em curto espaço quando em altas velocidades. O fato alarmante é que esses veículos são conduzidos por motoristas que andam em nossas rodovias de pista simples como se fossem automóveis de passeio. Possuem motores possantes que os levam a 110 km/h ou mais com a maior facilidade. Mas o problema não é a potência dos motores, é a dificuldade de parar quando se está a essa velocidade puxando um peso de 50 toneladas. Essa carga enorme com inércia equivalente torna difícil a frenagem e as mudanças rápidas de direção.

Não é preciso ir longe, para isso basta assistir os noticiários dos acidentes envolvendo veículos pesados no Brasil, são sempre situações em que o motorista do veiculo acaba se envolvendo em um acidente por avaliar mal o tamanho e peso do veículo que conduz. Nestas avaliações mal feitas se envolvem veículos leves que pela diferença de tamanho e peso resulta em acidentes horríveis com mortes e pessoas feridas que ficarão com marcas para o resto de suas vidas.

Caminhões pesados equipados com limitadores de velocidades são atraentes pois além de reduzir a possibilidade de acidentes existe ainda os fatores de economia de combustível anual e a redução do efeito estufa pela diminuição na emissão de poluentes. Só estes três fatores são mais do que suficientes para o estudo da obrigatoriedade de se utilizar estes limitadores de velocidade. Principalmente nas rodovias de pista simples onde o espaço entre veículos que cruzam é muito menor. É realmente assustador tentar ultrapassar um desses veículos de transporte pesado quando em alta velocidade.

É importante a avaliação se os limitadores de velocidade realmente reduzem o risco e a seriedade dos acidentes para caminhões pesados, além de se obter o impacto na segurança com a diferença de velocidade e nas iterações dos caminhões com os automóveis nas mais diferentes estradas em um ambiente com veículos equipados com  limitadores de velocidade.

Já existem países que possuem uma legislação nacional sobre limitadores de velocidade em vigor, estes países são a Austrália, o Reino Unido e a Suécia. A experiência desses países talvez seja uma importante fonte de informação sobre o quanto ela pode ser efetiva, levando-se em consideração a experiência dos proprietários de transportadoras, associações de motoristas de transporte pesado, da própria fiscalização governamental e de outros segmentos relacionados. Não seria hora de nós no Brasil começarmos a pensar no assunto? Uma vez que o desenvolvimento das ferrovias para transporte pesado ou é assolado pela praga da corrupção ou foi privatizado e anda a passo de tartaruga cansada.

Publicado no Jornal Correio de Uberlândia
Coluna Ponto de Vista
Data: Domingo - 28/09/2014

sábado, 30 de agosto de 2014

Os eleitores e a política.

Uma característica marcante em nossa tradição política nas eleições presidenciais é a falta de programa claro dos candidatos presidenciáveis e com maiores chances de chegar ao poder. Juscelino Kubitschek de Oliveira foi endeusado e tinha um único plano "Interiorizar a capital do Brasil", com todas as mazelas de um projeto deste porte.

Os nossos candidatos também tem propostas mirabolantes. Um deles vai acabar com o problema da saúde em seu primeiro mandato. O outro no primeiro ano de governo vai resolver os problemas da educação e os pobres não pagarão mais impostos. Enquanto isso a velhinha de Taubaté se revira no túmulo. A candidata presidenta não menciona a crise em que estamos adentrando.

Grandes empresas do interior de São Paulo, mais precisamente na região de Ribeirão Preto estão demitindo empregados às centenas. A secretária de um sindicato se queixava de tendinite no braço direito devido ao preenchimento de rescisões de contrato de trabalho. Ela já teria preenchido num prazo de dois meses mais de seiscentas e assustada com a fila de demitidos à porta do sindicato tinha ainda mais umas trezentas para preencher.

Será que o Partido dos Trabalhadores está realmente preocupado com o que acontece com os trabalhadores em nosso país? Será que o candidato do PSDB vai tratar a opinião pública brasileira como a tratou em seu estado de origem? E com os trocados que amealhou com a economia no salário das pobres professorinhas construiu um centro administrativo de primeiro mundo. Mas os professores de seu estado continuam recebendo salários de terceiro mundo.

Já que estão todos tratando dos seus interesses, que tal os eleitores também se preocuparem com seus interesses e pedirem aos seus sindicatos para sabatinarem esses candidatos sobre seus planos para a educação, saúde e justiça no Brasil. Mais uma vez vamos votar no menos pior? Quem será o menos pior? Será a candidata da situação que nos deu reajuste menor que a inflação corrente nos últimos três anos? Será que é o candidato da oposição? Para ele fazer economia é sonegar reajuste e enxugar a máquina do estado.

Ou será que é a candidata da terceira via? Que não sabe que uma termelétrica é feita para gerar energia de forma contínua e que sem gerar energia produz despesa das grandes para o estado. Além disso, as termelétricas não são mais o problema ambiental que era há décadas atrás. Será que os candidatos sabem que a biomassa da cana de açúcar está sendo subutilizada na produção de energia elétrica. Montanhas de bagaço de cana se acumulam na região de Ribeirão Preto sem incentivos governamentais para o seu pleno aproveitamento em um período de falta d’água e com reservatórios de hidroelétricas incrivelmente deplecionados, a ponto de colocar em risco a produção de energia firme para o atendimento dos consumidores nos horários de maior demanda.

A falta de programa de nossos candidatos é marcante, e parece que vão criando metas a partir de uma desordenada grita dos eleitores e da mídia, o que só produz desconfiança, soma-se a isso um período de propaganda eleitoral que serve mais para criar factoides do que criar oportunidade de informar os eleitores sobre quem é o mais capacitado. A nós eleitores só resta esperar a poeira baixar e votar no menos pior.

Publicado no Jornal Correio de Uberlândia
Coluna Ponto de Vista
Data: 26/08/2014