domingo, 26 de maio de 2013

Se dirigir, não beba.


O que é mais prazeroso para você? Beber ou dirigir? Uma coisa não combina com a outra e finalmente e felizmente dirigir bêbado no Brasil, além da multa salgada, virou crime. Todo país civilizado assume essa postura de tolerância zero para pessoas que insistem em dirigir sob o efeito do álcool ou de substâncias proibidas. Gosto de tomar as minhas cervejinhas com os amigos. Outro dia um amigo me levou para beber em um boteco de esquina no Bairro Martins.

Após dez cervejas e salgadinhos divididos por duas pessoas não titubeei, na volta pedi um táxi e de bônus ganhei uma conversa animada com o motorista, chegando à minha casa na maior segurança. Adorei a experiência. Recomendo a todos fazerem o mesmo, ou pelo menos tomar uns drinks quando tem certeza que não vão se colocar entre o banco e o volante de um veículo automotor. Este veículo se transforma em uma arma que pode matar nas mãos de pessoas alcoolizadas ou sob o efeito de alucinógenos, portanto nada mais justo criminalizar o uso de uma arma que pode matar ou até deixar alguém paralitico para o resto da vida.

A condução de um veículo é uma tarefa difícil exigindo do condutor a interação com tudo que acontece no seu entorno, recebendo estímulos e se comportando adequadamente. Dirigir sob o efeito de uma substância psicoativa, além de ser crime, é a causa de grande parte da mortalidade no trânsito em nosso país. Nos últimos anos esses acidentes ceifaram por ano a vida do equivalente a uma pequena cidade de cerca de 30.000 habitantes. Isso não é pouco visto que isso pode ser comparado a uma verdadeira guerra em nosso transito dentro e fora das cidades.

Prometi ao meu anjo da guarda que não mais vou dar esse trabalho para ele. Porque afinal de contas quem nunca bebeu e dirigiu que atire a primeira pedra. Esta mensagem é para aqueles que se embriagam e como super-homens e super mulheres que não são, acabam por provocar acidentes que podem se transformar em verdadeiras tragédias. Transformando a vida das pessoas afetadas em geral para muito pior. É bom pensar, para além das multas e punições de transito, na dor de consciência que pode ser levada para o resto da vida.

As estatísticas nacionais sobre acidentes de trânsito com mortes provocadas por embriaguez e por uso de alucinógenos ou “rebites” são assustadoras, este tipo de droga é muito comum entre os motoristas de caminhão no Brasil, que se utilizam delas para ficarem acordados e dirigirem por até 20 horas ininterruptas. É preciso retirar esses zumbis do volante de veículos pesados. O Brasil é o quinto país do mundo na estatística de mortes no transito, destas cerca de trinta por cento representam mortes por embriaguez e por uso de substâncias químicas de uso proibido.

O trânsito no Brasil, portanto, é uma verdadeira guerra não declarada onde morrem milhares de cidadãos todos os anos. Um prejuízo terrível para o país ao se levar em conta que muitas destas pessoas não morrem e ficam com sequelas e incapacitadas de terem uma vida em sua plenitude. Muitos deles em tratamento em hospitais especializados por anos a fio. É preciso ser duro com infratores, pois há um ditado popular que diz “o melhor pregador é o frade exemplo”. Não bastam leis duras, mas a penalidade deve ser dura, toda a sociedade cobra isso.

Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal Correio de Uberlândia
Data: 26/05/2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Silêncio e descanso.


Alguns cidadãos de Uberlândia, nesta mesma coluna, reclamam a aplicação da lei que trata do respeito ao silêncio dentro do perímetro urbano de nossa cidade, escreveram aqui recentemente sobre o assunto o Engenheiro Cicero Heraldo Novaes, diretor do CDL, e o eminente acadêmico da ALU e jornalista J. B. Guimarães, nos dois casos se reclama do descaso do poder público com o ruído emitido em nossa cidade. Quer seja por veículos de grande porte, quer seja pelas boates e bares até altas horas da madrugada.

O que diz a lei? Diferente do que se acredita a Lei do Silêncio não está prevista no Código Civil. O artigo que mais se aproxima do assunto no CC é o artigo 1.277, que diz: O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha.

Já a Lei de Contravenção Penal (LCP) é mais incisiva ao abordar o tema. O artigo de número 42 tipifica a contravenção – Perturbar alguém o trabalho ou o sossego alheios:
I – com gritaria ou algazarra;
II – exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;
III – abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
IV – provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem a guarda:

Mais um mito é acreditar que você tem o direito de fazer barulho até às 22h. Saiba que mesmo durante o dia, os ruídos não podem ultrapassar um limite que incomode o sossego da população – 70 decibéis (segundo lei municipal em várias cidades), o equivalente ao ruído de trânsito intenso. Ou seja, fazer barulho durante o dia também é uma contravenção e, como todas elas, está sujeito à pena.

As leis, não há falta delas, a lei estadual 7.302 de 21/07/ 1978 que em seu Artigo Um no Capítulo Um trata da poluição sonora, e a lei municipal 10700 de 09/03/2011 trata do controle e da conservação do meio ambiente, na Seção I do Capitulo II em seu artigo quatro, discorre sobre a poluição sonora, que consiste em infração a ser punida nesta lei, a emissão de sons e ruídos em decorrência de quaisquer atividades que possam prejudicar a saúde, a segurança e o sossego dos munícipes.

O brasileiro precisa aprender a respeitar o direito do outro, pois existe uma linha tênue entre onde termina o meu direito e começa o do meu semelhante. Esta é a teoria do Mínimo Ético, esta teoria surgiu no mundo jurídico pelas mãos de um jurista alemão Georg Jellinek, sua teoria pressupõe que o direito consiste de um conjunto de regras e normas intimamente ligadas que fundamentam regras morais para a sobrevivência da sociedade.

Preceitos éticos, portanto, a partir de certas normas fundamentais devem nortear a convivência harmoniosa da sociedade. Quando se apoia certas práticas em sociedade na transferência de um problema em particular para o próximo, é procurar dividir com ele algo que ele não criou e deve afetar em muito a sua vida cotidiana. Estas práticas não são éticas e podem ser observadas na invasão a que somos submetidos todos os dias em nossos direitos mais fundamentais.

Nenhum trabalhador merece ser acordado no meio da madrugada por gritaria ou algazarra de um bar ou boate nas vizinhanças, é necessário que o Código de Posturas Municipal tenha o poder de coibir tais práticas, e não se aliar a elas.

Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal O Correio de Uberlândia
Data: 18/04/2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O trabalho invisível.


Todos nós saímos de vez em quando e vamos a um restaurante ou a um bar que tem música ao vivo. Sou um animal que observa, e me causa estranheza observar trabalhadores da noite, quando se trata de remuneração, que não são tratados com dignidade pelos seus patrões. Nos restaurantes e bares dedico especial atenção aos músicos e garçons que entre outras pessoas trabalham na hora em que a maioria das pessoas está se divertindo.

Quando vem a conta da despesa do restaurante, lá está os 10% do garçom e o “couvert” artístico do músico, mas a pergunta que não quer calar é: - Como este dinheiro é repassado para os seus verdadeiros donos? Os garçons ou garçonetes que nos serviram com o seu sorriso e sua atenção e os músicos que tocaram a canção que muitas vezes marca aquele momento para o resto de nossas vidas, e raras são as pessoas que percebem que eles existem.

Será que esses trabalhadores recebem todo o dinheiro que deixamos nesses estabelecimentos com a certeza de que vão chegar até eles? Como sou uma pessoa que observa, certa vez ao receber a conta, em que constava o “couvert artístico” e os 10% do garçom, percebi que a desorganização era tanta que este valor estava sendo cobrado até em cima do “couvert” dos músicos. Como se o “couvert artístico” fosse servido na bandeja pelos garçons e os músicos não existissem.

A partir daí comecei a perceber que aquele dinheiro era uma grana extra que entra para o caixa do restaurante e que nem sempre é repartido de forma organizada com quem de direito. Em entrevista com músicos e garçons percebe-se que muitas vezes paga-se essas despesas agregadas à conta do bar ou restaurante, e os merecedores do crédito recebem valores fixos por noite muito aquém do valor variável que entra via pagamento feito pelos clientes.

Precisamos, portanto estabelecer regras e fiscalizar se esses trabalhadores estão recebendo o que de fato merecem. Alguns sugerem até que esses valores sejam pagos diretamente aos músicos e garçons pelos próprios clientes. Mas existe sempre a dificuldade de não se ter o dinheiro em espécie para recompensá-los no momento do pagamento, pois a grande maioria dos pagamentos é feita com dinheiro de plástico. É preciso criar mecanismos legais e tecnológicos para que esses trabalhadores recebam remuneração sobre os clientes que de fato atenderam. O ECAD fiscaliza o que e quanto se toca, mas não fiscaliza o quanto se recebe para tocar, tudo isso é muito cômodo.

Nossos vereadores precisam estudar uma forma legal de fazer com que não exista aqui este tipo de injustiça, e que não se escute mais a boca pequena que em nossa cidade músicos e garçons não recebem proporcionalmente aos gastos de clientes em estabelecimentos comerciais que não teriam vida se não fossem esses trabalhadores.

Olhando pelo ponto de vista moral, este é um desvio que pode ser corrigido e que traria melhoria de vida substancial a estas pessoas que nos servem sem um contrato de trabalho. A dignidade no trabalho não é somente ser tratado com urbanidade, mas é receber uma remuneração digna pelo trabalho bem feito. A autoestima também passa pela boa recompensa do trabalho assalariado que permitirá ao trabalhador dar aos seus entes queridos melhores condições de vida, se é válido para cada um de nós, também é válido para todos os trabalhadores.

Numa época em que cada um pensa primeiramente em si, é premente que o legislador e o estado pensem no próximo, para que distorções sejam corrigidas e que os recursos cheguem a quem de direito. É cultural e histórico em nosso país aqueles que trabalham não receberem a plena recompensa. Fica assim o nosso apelo para que um “mea culpa” seja feito e que passemos a tratar estes trabalhadores que nos servem em muitas ocasiões com a distinção que merecem.

Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal Correio de Uberlândia
em 15/04/2013

sábado, 30 de março de 2013

Pobres teatros


Uberlândia possui três teatros que são somente dois, o Teatro Municipal Oscar Niemeyer já inaugurado, mas ainda não acabado, e o Teatro Rondon Pacheco que conta hoje com acanhados 340 assentos e espaço para quatro cadeirantes. A terceira casa de espetáculos é o Teatro Grande Otelo que se encontra interditado, pois parte do teto ruiu e o restante do teto teve que ser retirado para não cair na cabeça de cidadãos desavisados. É muito pouco para uma cidade de mais de 600.000 habitantes, a preocupação com a saúde das instalações teatrais da cidade bem retrata o valor da cultura para nossos dirigentes pretéritos.

Foi espantosa a velocidade com que se conseguiu dinheiro do governo do estado para se construir a Arena Presidente Tancredo Neves, o Sabiázinho, enquanto isso o Teatro Municipal Oscar Niemeyer continua sua modorrenta marcha de construção por anos a fio, sem sequer uma data prevista para sua entrega definitiva. Diz a administração anterior que já terminou o teatro, inclusive foram afixadas placas de inauguração, afirma a administração atual que o teatro ainda está inacabado, faltando detalhes importantes para sua conclusão.

Talvez seja este o episódio que mais verdadeiramente retrate a importância da cultura em nossa cidade. Não é preciso descrever com palavras, basta a pura e simples observação dos fatos para se chegar a esta conclusão. Creio que Sebastião Bernardes de Souza Prata o pequeno Grande Otelo e maior e mais conhecido expoente da cultura teatral local esteja agora se revirando em seu sepulcro no cemitério São Pedro. O humilde Grande Otelo provavelmente teria muito pouco do que se orgulhar dos teatros que temos hoje em funcionamento em Uberlândia. 

Um lindo teatro semiacabado, um teatro acanhado de pouco mais de três centenas de lugares, e um terceiro em ruinas, melancolicamente cercado e isolado por tapumes para que as marquises não caiam na cabeça dos transeuntes. Urge que a população exija para já um teatro acabado e confortável que seja digno do tamanho desta cidade. Somente desta forma os grupos de teatro, de dança, e os corais baseados aqui poderão se sentir estimulados a programarem apresentações. Sem falar na possibilidade de trazer de fora grandes peças, grandes atores, grandes orquestras para exibição em nosso teatro do século XXI.

É preciso que nossas autoridades busquem com projetos locais os recursos das leis de incentivo a cultura do estado e do governo federal para dar vida aos nossos teatros e fazer germinar a semente teatral que se esforça para nascer com tanta dificuldade em nossa cidade. Uma cidade que brilha nos esportes no cenário nacional, precisa também brilhar com o teatro, a música, a dança e com as grandes orquestras. Mas sem um espaço adequado e muito bem equipado é impossível sequer sonhar com estes espetáculos.

O que se espera é que a atual administração municipal reconheça a dívida pretérita dos nossos administradores para com a arte e a cultura de nossa cidade através da reforma urgente do Teatro Grande Otelo, e a entrega não menos urgente do Teatro Municipal Oscar Niemeyer totalmente acabado e equipado como consta de seu projeto original. Aí sim poderemos ter aqui as peças teatrais, os grupos de dança e as exibições de orquestras sinfônicas que se apresentam somente nas capitais. 

Publicado no Jornal Correio de Uberlândia
Coluna Ponto de Vista
em 26/03/2013

domingo, 24 de março de 2013

O livro e a leitura.

Se você procura uma companhia para todas as horas, que sempre tem as mais lindas palavras para te oferecer, este acompanhante fiel é o livro. A tecnologia está mudando o hábito da leitura e muitas pessoas não tem mais tempo para o prazer de folhear as páginas de um bom livro. Quando não estou em casa sempre carrego o meu exemplar para matar o tempo durante minhas viagens. É indescritível o prazer que se tem ao se ler um bom enredo, descobrem-se grandes personalidades em biografias, e grandes histórias na própria história escondida nos depoimentos de pessoas e de testemunhas de determinado fato.

Ao se ler um livro abrem-se portas e janelas de um mundo novo, sempre tenho um à minha cabeceira, e os meus preferidos são as biografias e os fatos históricos narrados por testemunhas. No livro está aquele lugar que você nunca foi e talvez nunca vá, estão as pessoas que você nunca encontrou e provavelmente nunca encontrará, pois muitas delas já não existem mais, mas através deles, quer sejam em brochura ou capa dura você descobre lugares e personalidades que imaginava completamente diferentes.

O aprendizado acontece em cada palavra, em cada frase ou encadeamento de ideias, ou seja, aprende-se muito lendo, é preciso, portanto, que nossos jovens deem enorme valor ao conhecimento das palavras para que as entendam e façam bom uso delas. Já não se cultua mais uma boa leitura e muita gente não dá valor ao conhecimento desta ciência que é o encadeamento de palavras e frases. Segundo estatísticas a quantidade de livros lida per-capita vem caindo em nosso país, o brasileiro lê pouco.

Entre 2007 e 2011 o hábito de leitura caiu 9,1% no Brasil, a leitura perdeu espaço para a TV, filmes em DVD, e a internet para diversão. Este é um dado crítico, pois neste mesmo período a população brasileira aumentou 2,9%. Segundo estas estatísticas os homens e mulheres dividem igualmente o prazer pela leitura no Brasil, e menos da metade da população tem o hábito de ler. As regiões que leem acima da média nacional são o Nordeste e o Centro-Oeste, estando o Sudeste dentro da média e as regiões Norte e Sul abaixo da média.

O costume da leitura deve ser iniciado desde a mais tenra idade, já na pré-escola, e cultuado ao longo de toda uma vida. Muitos pais procuram oferecer aos seus filhos esta oportunidade quando a iniciativa não parte da própria escola. A prática contínua da leitura produz pessoas mais esclarecidas que escrevem bem e possuem um extenso vocabulário para transmitir suas ideias.

Em resumo, um bom profissional ou uma pessoa que possui boa argumentação é sempre um devorador de livros. A compreensão do que se lê para o aprendizado passa pelo conhecimento do significado das palavras e da perfeita interação entre elas. Algumas escolas já possuem a prática de solicitar a professores e alunos que leiam pelo menos um livro por semana. Isto é muito salutar, pois o processo de ensino e aprendizagem passa, sem sombra de dúvida, pelo conhecimento do significado do que se lê e pela forma ortográfica correta.

É preciso que todas as instituições que oferecem ensino pré-escolar cultuem a prática de leitura para que nossas crianças evoluam na educação, pois as primeiras letras são de fundamental importância na formação do cidadão. É incrível, mas os livros de estória que nossos filhos levam para casa na alfabetização pré-escolar fazem toda a diferença na aquisição do prazer pela descoberta de novas palavras, frases e na compreensão das ideias, desde o primeiro e segundo graus até o ensino profissionalizante e a universidade.

Publicado na Coluna Ponto de Vista
Jornal Correio de Uberlândia
Data: 23/03/2013